segunda-feira, setembro 21, 2009

FEMINICÍDIO

Que sean tus gritos
Que funden tímpanos
Sus cantos cuando busquen,
Miserable, consuelo 

No Blog Mulheres de Juarez 

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Cresce número de assassinatos de mulheres em cidade na fronteira do México

O número de mulheres assassinadas em Ciudad Juárez, no Estado de Chihuahua, norte do México, vem aumentando e alcançou sua cifra mais alta em 16 anos. Segundo organizações civis, pelo menos 88 mulheres foram assassinadas na cidade desde o início do ano, o índice mais alto desde que esses crimes começaram a surgir, em 1993.

A maioria dos assassinatos não foi esclarecida e as autoridades dizem que vários seriam consequência de disputas entre traficantes na cidade, que fica na fronteira com os Estados Unidos.As organizações não-governamentais estão em alerta. "É uma cifra muito, muito preocupante e revela que apesar de todas as ações e denúncias feitas, a impunidade continua", disse à BBC Mundo Juan Carlos Gutiérrez, diretor da Comissão Mexicana de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos (CMDPDH).O aumento desses crimes coincide com a polêmica causada pelo presidente Felipe Calderón ao propor a nomeação de Arturo Chávez como promotor geral do país.

Chávez foi procurador em Chihuahua nos anos em que mulheres começaram a ser vítimas da violência na cidade. Organizações de defesa dos direitos humanos o acusam de não ter investigado os crimes.

O fator narcotráfico

Desde o ano passado, a cidade se tornou um campo de batalha dos cartéis de Sinaloa e Juarez, que disputam o controle do tráfico de drogas na região.A procuradora de Justiça de Chihuahua, Patrícia González, definiu a situação como uma "guerra de extermínio" entre os grupos. Mais de 3.000 pessoas foram mortas desde janeiro de 2008.Desde o ano passado, as ONGs advertiram que a disputa entre as quadrilhas iria causar um aumento no número de mulheres assassinadas.

"(Isso ocorreu) por diferentes razões, mas o certo é que o número aumentou como jamais antes", disse à BBC Mundo Mariela Ortíz, fundadora da organização Nuestras Hijas de Regreso a Casa, que agrupa mães de mulheres assassinadas.

Processos internacionais

Desde abril, o governo do México enfrenta um processo na Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) pela falta de punição aos assassinos das mulheres.O processo se concentra no caso de três jovens mulheres, cujos corpos foram encontrados em um campo de algodão. Mas o resultado deste processo poderá refletir nos casos de outras 500 vítimas reconhecidas pela Procuradoria de Justiça de Chihuahua.As mães das três mulheres exigem a reparação de danos pelo governo mexicano, não apenas com indenizações em dinheiro, mas também com a punição dos culpados.Também se exige proteção às famílias das vítimas, que vêm sendo ameaçadas há vários anos.Nas audiências realizadas em abril, a procuradora de Chihuahua afirmou que mais da metade dos casos foram solucionados.A sentença poderá ser ditada dentro de um mês, informou o diretor da CMDPDH.Do BBC Brasil

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O feminicídio no México

Railda Herrero - 06-12-2005

Em 19 de setembro de 1998, uma cidadã holandesa tornou-se mais uma vítima dessa rede. Hester van Nierop, de 28 anos, foi assassinada em Ciudad Juárez, no meio do deserto, que se converteu numa das cidades mais violentas do país. Além de mais de 400 mulheres assassinadas, há cerca de cinco mil desaparecidas desde que este fenômeno de horror começou a ser registrado na região de Chihuahua, em 1993.

Os acontecimentos econômicos da década de 90 são a chave para entender a origem desses crimes brutais contra mulheres. A partir da década passada, mulheres jovens e de origem humilde, estudantes, meninas e adolescentes passaram a ser raptadas, mantidas em cativeiros e sujeitas às piores violências sexuais, antes de serem barbaramente assassinadas. As vítimas fazem parte das milhares que se dirigiram, nos últimos anos, à região em busca de ofertas de emprego. 

Atrás de respostas a estes crimes, a instituição Colégio da Fronteira Norte do México descobriu que um quinto destas vítimas havia trabalhado nas 300 montadoras de multinacionais que dominam a economia de Ciudad Juárez. As vítimas, em geral, fazem parte da imensa massa de trabalhadores desqualificados que chega na região, totalizando 300 a cada dia.

No caso das mulheres sozinhas, tornam-se presas fáceis diante da impunidade que grassa na região. Desempregados, marginalizados, prostitutas, traficantes de pessoas e narcotraficantes rondam a área, onde a desigualdade, a pobreza e a falta de justiça são os campos férteis adubados com o sangue de
mulheres.  Leia mais na RNW

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Mortas de Juarez

O documentário Bajo Juarez conta o caso de uma das mulheres assassinadas e em seu desenvolvimento apresenta outros e expõe o testemunho de jornalistas e versões de autoridades policiais que parecem beirar o absurdo

Organizações defensoras dos direitos humanos e de familiares das vitimas dizem que em Juarez foram assassinadas cerca de 500 mulheres desde 1993, grande parte antes sendo violentada e torturada. As hipóteses sobre esses crimes incluem desde cultos satânicos até negócios ligados à pornografia. Também há suspeitas de trafico de órgãos humanos.

Mas um informe de 2006 da extinta Promotoria Especial para a Atenção de Delitos Relacionados com os Homicídios de Mulheres no Município de Ciudade Juarez, criada pelo governo de Vicente Fox (2000-2006), afirmou que "se distorceu a dimensão exata do problema", o que gerou mitos e boatos infundados. As investigações da Promotoria que em seu momento indignou ativistas deram com resultado que na morte violenta de cerca de 400 mulheres não há nenhum padrão de assassinatos em série e que apenas 78 estão relacionados com ataques sexuais

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E no Brasil

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) cerca de 250 mil pessoas são vítimas do tráfico humano nos países da América Latina, sendo o Brasil um dos principais exportadores de mulheres para exploração sexual, especialmente na Europa.

As máfias que atuam no tráfico de seres humanos ultrapassam fronteiras e agem, inclusive assassinam mulheres em território nacional mostrando que esse é um esquema internacional, que envolvem autoridades de diferentes países, que dividem com a máfia o lucro milionário dessa que é a terceira atividade ilegal mais lucrativa produzida pelo capitalismo, através da exploração sexual de mulheres. Na Integra no PCO

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As organizações criminosas especializadas em tráfico de seres humanos mataram pelo menos oito brasileiras em 2009. Houve seis assassinatos na Espanha e um nos Estados Unidos. As vítimas são mulheres que deixaram o país para tentar a vida por meio da prostituição. O crime mais surpreendente, no entanto, ocorreu em território brasileiro, especificamente na capital do país. A morte de uma goiana no Guará revelou que as máfias europeias vinculadas à prostituição internacional não temem a segurança nacional. E dão ordens para aliciadores tirarem a vida daqueles que as ameaçam. No Correio Brasiliense

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23 de setembro - Dia Internacional contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças

No Brasil, o tráfico para fins sexuais é, predominantemente, de mulheres e garotas negras e morenas, com idade entre 15 e 27 anos.

O negócio da exploração sexual de meninas e meninos cresce no mundo de maneira incontrolável. Depois do comércio de drogas e de armas, é a atividade mais rentável do crime organizado. O turismo sexual, a prostituição infantil e a pornografia, são as linhas principais desta lucrativa "indústria" presente em todos os cantos do planeta.No Direit.org


Disque 100 - o canal nacional de denúncia da violência, abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes.